Recital de Poesia

“Écloga de Jano e Franco”

Durante o mês de Setembro, as palavras de Bernardim Ribeiro fazem-se ouvir pela voz de Roberto Terra. No Parque do Fontelo, todos os domingos, CRETA apresenta o recital de “Écloga de Jano e Franco”.
Uma écloga é, por definição, um poema que tem como cenário a natureza. A écloga de Jano e de Franco conta-nos a história de amor de Jano, que vê cumprir-se um dia à beira do Tejo uma profecia que lhe tinha sido destinada anos antes. Conta-o a Franco, que lhe canta uma canção dedicada aos “desgraçados como nós”. Pois é, estes dois pastores, ali à beira do Tejo porque fugidos da miséria que experimentavam nas suas terras – Jano era alentejano, Franco vinha de Coimbra – são mote para Bernardim Ribeiro nos apresentar ideias sobre uma espécie de sentido para a vida. Alguns versos parecem axiomas que podem ajudar uma pessoa a organizar a sua vida. E, no final, uma coisa se torna evidente: não se atribui a écloga aos dois por acaso, é uma forma de valorizar a companhia. Vivemos acompanhados, e nossa companhia nos ampara. Talvez essa seja uma das importantes mensagens deste poema. Até porque, dizem os estudiosos, Jano é uma variação de Bernardim, e Franco uma sombra de Sá de Miranda. Os dois poetas eram, na vida fora da poesia, grandes amigos.

No Fontelo, Viseu

Conheça o texto

Disponibilizamos este texto para todos aqueles que assistiram à récita e o querem revisitar. É um texto difícil de ouvir – mesmo para ler, os quinhentos anos que nos separam trouxeram alguma transformação à própria língua. O que na verdade, torna ainda mais encantador.