Exercícios de Escuta

“Passagem das Horas” de Fernando Pessoa

Lido por

André
Albuquerque

Quando

9,16, 23 e 30 Maio, 2021
17h00

“No exercício da escuta deixamo-nos levar inevitavelmente por todos os outros sentidos, será até impossível ou irrelevante tentar apenas escutar. Imagine que coloca a tocar a sua música preferida e fecha os olhos, o que lhe surge nessa tela escura? Imagens, necessariamente imagens, mais ou menos definidas, com mais ou menos cores e tons e dessas imagens surgem cheiros, texturas, no fundo, memórias. E se de repente a música pára ou passa para outra que pode até detestar, existirá sempre um novo impulso que parte da escuta mas que fará com que veja imagens diferentes ou abra os olhos. Ou outro impulso totalmente diferente destes, mas ainda assim um impulso que partirá da escuta para outro conjunto de sensações.
(…) Gosto de acreditar que Fernando Pessoa escreveu o que escreveu por ter sido dos seres humanos mais completos que alguma vez passou por este sítio que habitamos. Teria “os cinco bem aferidos”, como às vezes escutamos e estariam tão aferidos que foi vários dentro do mesmo, foi inacreditavelmente e esmagadoramente vários.
O que hoje [neste exercício se partilha] é um poema curto de Alberto Caeiro a contribuir com a visão para a escuta de hoje e a abrir caminho para três excertos da Passagem das Horas de Álvaro de Campos, onde a escuta interior é fundamental.”

Sobre André Albuquerque

Viseu, 1983, quarto 13 da Maternidade, sexta feira, 19 horas e 15 minutos de um dia ameno. Desde este dia que se lhe descobre uma forte necessidade de comunicação que toma várias formas e se adapta a vários contextos. Na raíz de tudo uma relação de dependência com as histórias, as palavras e o convívio com o outro mas também com a solidão. Esta relação levou-o a querer ser actor, a ter intervenção política, a sentir saudade de tertúlias formais e informais, a sonhar com a rádio.
Licenciado pela Escola Superior de Teatro e Cinema, estreou-se como actor profissional em 2006, num espectáculo de Fraga, “O Grande Terramoto”, com quem recentemente, 15 anos depois, voltou a trabalhar em “Senso”, estreando-se assim no Teatro Viriato, o da sua cidade.
Pelo meio protagonizou vários espectáculos na Companhia de Teatro de Almada, onde se destaca “A Mãe”, de Bertolt Brecht, com encenação de Joaquim Benite e “O Luto Vai Bem com Electra”, de Eugene O’Neill, com encenação de Rogério de Carvalho, participou em algumas novelas e séries de televisão e dobragens.
Continuará a comunicar, amenamente, de preferência.

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