Recital de Poesia

“Imortais”

Durante o mês de Novembro, a poesia Romântica irá ecoar na Casa da Águias. Com concepção e direcção de Fraga, a leitura cabe a André Teixeira, Francisco Poppe, Gabriela Coutinho, Loff Olufson, Rafael Lopes e Rita Camões.

Trata-se de uma recriação poética ou diálogos sobre o Romantismo, para leitores curiosos que não frequentam clubes de leitura oitocentistas.
Um poeta é um rouxinol que se senta na escuridão, e canta para se confortar da própria solidão com seus próprios sons. Os seus ouvintes são pessoas arrebatadas pela melodia de uma música invisível, que se sentem comovidos e em paz.

Todos os domingos, às 17h00, escutamos “imortais”.

O poeta caminha perseguido por ideias várias; ameaçado por ideias várias. O poeta caminha em busca do essencial, da fundação de uma luz que desenhe, nítida, a sombra das suas ideias várias. O poeta caminha a partir e na direcção dos seus mestres; e, como ciclo natural, é neles que se esconde a fundação dessa luz que desenha a nítida sombra das suas ideias várias.
Poderia ser assim explicada a narrativa de Imortais, como quem diz que aquilo a que assistimos é, no fundo, a resposta à pergunta “de onde vem um poema?”. Mas este recital é mais que a narração imersiva do gesto poético. Imortais é uma antologia. Cada sala, uma página; cada corpo presente, um sujeito poético feito pele e músculos e ossos e voz. Com a virtude de o fazer sendo fiel ao espírito do Romântico.
Os recitais de CRETA têm um objectivo motor: dar a conhecer vozes literárias, permitir por comparação o seu estudo, o discurso sobre as características de cada estilo, a vontade de aprofundar o conhecimento.

Também nos permite reconhecer que cada texto é um texto, e não se tratam todos os textos da mesma maneira. Seja pela linguagem, pela forma como o próprio poeta encara a poesia, ou pelo tema que se aborda, não se lê Ruy Belo como se lê Bernardim Ribeiro ou algum dos poetas do período Romântico. Tocamos, assim, em três estilos de escrita que pedem a quem os lê e a quem os ouve diferentes tipos de atenção. Tenho a esperança de que a apresentação destes recitais, e estas ideias partilhadas, possam catalisar o pensamento sobre estes assuntos.
A direcção deste recital ficou a cargo de Jorge Fraga, que também lê, com André Teixeira, Francisco Poppe, Gabriela Coutinho, Loff Olufson, Rafael Lopes e Rita Camões, poemas de Keats, Garrett, Leonor de Almeida (Marquesa de Alorna), Byron, Antero de Quental, e Shelley.
Que deste recital possamos sair um pouco mais atentos ao rouxinol que se senta na escuridão.

– Guilherme Gomes

Na Casa das Águias, Viseu