lugar de desassossego e tormenta onde nasce o gesto criador – de soluções, de mitos, de novos labirintos.

Compreendendo que o teatro é lugar tanto mais interessante quanto mais diversificados os seus caminhos, o projecto CRETA é um projecto de criação e programação teatral que procura catalisar o diálogo e experimentação teatral na cidade de Viseu. Ao longo de 2019, através do acolhimento e criação de espectáculos, de recitais de poesia, de conversas e clubes de leitura, bem como de oficinas que se debruçam sobre as várias dimensões da feitura de um objecto teatral, o projecto procura reconhecer o labirinto que habitamos, provocar em quem nos vê a vontade de, pelo menos, procurar para ele uma solução.

CRETA é uma referência geográfica mitológica. O labirinto de Creta foi desenhado por Dédalo. A inteligência com que ele cria o labirinto e a frescura da solução que encontra para sair de lá, quando está preso e incapaz de resolver o labirinto, são os verdadeiros valores do projecto: pensamento e sonho, ou imaginação. O labirinto pode funcionar como metáfora: lugar de desassossego e tormenta onde nasce o gesto criador – de soluções, de mitos, de novos labirintos. Dédalo é referência para a invenção.
E, uma vez em CRETA, todos podemos ser Dédalo.

onde?

CRETA não tem lugar. O labirinto far-se-á pela cidade de Viseu, passando por escolas, auditórios convencionais e espaços alternativos. Para cada actividade uma coordenada. A morada do ponto de encontro é www.creta.teatrodacidade.pt.

apoio

O projecto CRETA – Laboratório de Criação Teatral é um projecto do Teatro da Cidade, apoiado pelo programa VISEU CULTURA – ANIMAR, promovido pela Câmara Municipal de Viseu.

as nossas
actividades

oficinas

Ao longo de 2019 iremos convidar artesãos das várias áreas do saber que estão envolvidas na criação teatral: desde a produção, à dramaturgia, passando pela cenografia, a confeção de figurinos, a comunicação de um espectáculo. O objectivo será ampliar os horizontes com que pensamos um espectáculo de teatro.

recitais

CRETA apresentará um conjunto de 3 recitais (em três meses do ano, todos os domingos desse mês), passando pela linguagem poética do período medieval, com as Éclogas de Bernardim Ribeiro à Contemporaneidade, fazendo uma paragem no apeadeiro Romântico.

clube de leitura

Ao longo do ano tiramos alguns dias para ler e discutir uma obra da dramaturgia mundial. Ler para imaginar as soluções possíveis para o texto quando posto em cena. No fundo, trabalho de mesa em que antecipamos o momento de “levantar” o espectáculo. Antes de os actores pisarem o palco, pisa-o a nossa imaginação e a investigação sobre os elementos dramatúrgicos. Talvez a leitura de um texto de teatro se confunda com o exercício de o reescrever, traduzi-lo, pelo menos, numa nova linguagem. O que se propõe nestes encontros é, portanto, o estudo aprofundado das obras, e a estimulação das soluções criativas para as colocar em cena.

Alguns dos autores que procuraremos abordar são William Shakespeare, Anton Tchekhov, Molière, Frank Wedekind, Samuel Beckett, Gil Vicente, entre outros…

água nova para as mesmas margens

Água Nova Para as Mesmas Margens nasceu em 2018, no CAL – Primeiros Sintomas, em Lisboa. Trata-se de um momento de debate entre pessoas da nova geração de criadores e pensadores nas várias áreas – provocados por textos da mesma idade noutra geração.

 Aos 26 anos, Eduardo Lourenço lançou Heterodoxia I. A obra é tão rica, tão brilhantemente consciente, que parece sublinhar o contraste entre a clarividência do pensamento de Lourenço em 1949, e a sensação de um hiato intelectual que experimentamos hoje.

Respondendo a essa denúncia, a de uma crise no pensamento contemporâneo, procura-se mapear esse mesmo pensamento com uma série de conversas entre pessoas que são hoje da geração a que Lourenço pertencia em 1949, a partir de obras que poderemos enquadrar no contexto da filosofia – particularmente, da filosofia portuguesa.

A ideia de o fazer surge pela leitura da obra invocação ao meu corpo, de Vergílio Ferreira. Para cada encontro, um capítulo (deste e de outros livros, como Heterodoxia, por enquanto) serve de mote para três ou quatro intervenções mediadas, de três ou quatro convidados, cada uma com cerca de dez minutos, caminhando em direcção a um último momento do encontro que será a discussão entre os elementos convidados e os membros do público.

Uma vez que se dilataram os territórios da presença por horizontes virtuais, seria uma pena se a sombra que esta luz provoca não chegasse mais longe. Por isso, sempre preferindo a presença física – não por qualquer necessidade de resposta, mas pela sua qualidade –, sugiro que os encontros sejam transmitidos em directo nas redes sociais, de forma a que se torne acessível a participação, mesmo àqueles que nunca veremos ao vivo.

Chamou-se a estes encontros “água nova para as mesmas margens”, uma vez que nos levantamos para falar pisando o mesmo chão que outros antes de nós. Posto de outra forma, a abrir prólogo de Heterodoxia I, Lourenço escreve: O velho mito germânico de Migdar, a serpente que morde em círculo a própria cauda, é um símbolo de sugestões perpétuas. – E é uma representação de Migdar que uso para ilustrar este documento, esta ideia.

 ÁGUA NOVA acontece em escolas com transmissão em directo para a internet.

criações

As criações do projecto CRETA estrearão em Viseu, e pretende-se que impliquem a comunidade local, deixando-se influenciar pelo contexto da cidade. A primeira criação do projecto será uma encenação de Luis Miguel Cintra.