Península

Espectáculo

Península

Quando

28 dez. 21h30. 2019
29 dez. 18h00. 2019

Onde

Incubadora do
Centro Histórico

Uma criação

Mochos
no Telhado

Sofia de Portugal e Rosana de Castela partem à descoberta das suas identidades culturais que apenas se revelam no confronto uma com a outra. Mas a viagem pede espera e desapego, exige conflito e coragem. É intemporal e transfronteiriça.

Contemporâneo e histórico, este encontro que é corpo e texto, teatro e dança, fronteiras e voos, mergulha nos episódios marcantes da história e da cultura de Portugal e de Espanha. O que une e o que separa estes países vizinhos? Qual é a verdadeira fronteira para além da qual nos tornamos estrangeiros perante um outro?

A Península Ibérica, com toda a sua história de conquistas e perdas, alberga dois países que sempre lutaram para manter e fazer viver as suas identidades distintas. A península é apenas uma metáfora para falar do mundo, das suas históricas e mais recentes façanhas, através das nossas vivências mais próximas. Procuramos no fim saber regressar a casa, seja ela o mundo ou um pequeno pedaço de terra no coração de Portugal.

FICHA ARTÍSTICA
Criação – Dennis Xavier, Rosana Baena e Sofia Moura
Interpretação – Rosana Baena e Sofia Moura
Desenho de Som – Dennis Xavier
Produção – Guida Rolo
Produção Executiva – Mochos no Telhado
Co-Produção CRETA – laboratório de criação teatral
Agradecimentos: Aníbal Sousa, Pilar Herranz, Graeme Pulleyn, Guilherme Gomes, Escola Profissional Mariana Seixas, Casa do Povo de Abraveses

Na Incubadora do Centro Histórico

APOIO

PRODUÇÃO

CO-PRODUÇÃO

FINANCIAMENTO

APOIO

APOIO

APOIO

PARCEIRO MEDIA

APOIO

APOIO

APOIO

PARCEIRO MEDIA

lamento de ĉiela

Espectáculo

lamento de ĉiela

Quando

6 e 7 de Dezembro
21h30. 2019

Onde

Igreja Madre Rita
Viseu

Uma criação

Teatro
da Cidade

Este lugar é hostil. É um deserto. É um rio. É um templo.
É neste lugar que Ĉiela há de morrer. Podemos senti-lo aos primeiros sintomas dela. É neste lugar que um Pierrot – estranho até aos olhos de quem com ele sonhou – encontra refúgio. É neste lugar que ouvimos a música que ele toca.
Neste lugar hostil, neste deserto, ou rio, ou templo.
O “lamento de ĉiela” nasce da vontade de compreender o conceito de anomia pela perspetiva de um migrante, sem dar ao migrante demasiada definição para além daquela que nos diz que ele está entre o lugar de onde vem e o lugar para onde vai. Emprestamos-lhe o Esperanto para, precisamente, aproximar os espectadores – talvez não de Ĉiela, mas uns dos outros. Em comum têm, qualquer que seja a nacionalidade, o não partilharem origem com esta moribunda.
A caminhada de Ĉiela e do Pierrot, a discrição destas duas vidas, a importância de um lugar, o espaço para o sonho, todos estes elementos encontram no espectáculo uma espécie de ponto de fuga.

FICHA ARTÍSTICA
Texto e Encenação Guilherme Gomes
Assistência de Encenação Nídia Roque
Com Bruna Maia de Moura e Carla Galvão
Desenho de Luz Rui Seabra
Financiamento: Viseu Cultura – Animar
Apoio Município de Viseu, Cria Verde, CAL, Associação Portuguesa de Esperanto, Casa do Concelho de Tomar
Produção CRETA – laboratório de criação teatral
Produção Executiva Ana Seia de Matos
Cartaz L Filipe dos Santos
Fotografias e Design Luís Belo

I acto

Escrever, vai-me parecendo, é abdicar de segredos. E escrever um espectáculo é abdicar de segredos, logo de início, fazendo deles terreno partilhado com a equipa que connosco trabalha. Vai ser preciso despir o texto, dissecar as suas entrelinhas. E então, entregar os segredos ao público, dar aos segredos o tratamento que se dá às ideias, expô-los aos olhos sequiosos de signos dos espectadores.
lamento de ĉiela é o sexto espectáculo produzido pelo Teatro da Cidade. É, simultaneamente, o primeiro que estreamos fora de Lisboa e aquele em que, no palco, não está nenhum actor “residente” da companhia.
Este espectáculo nasce indefinidamente: uma palavra escrita em francês num livro de sociologia, anomie, trouxe-me a esta encruzilhada. Anomia nomeia o momento entre a queda de uma Sociedade antiga e o nascimento de uma Sociedade nova: é esse momento em que andamos como que perdidos, estrangeiros uns aos outros.
Mas também um homem ou uma mulher podem ser, individualmente, anómicos, como o foi Antígona, ou Joana D’Arc, ou Jesus Cristo, ou como o é, em certa medida, Greta Thunberg, ou, de maneira menos heróica, Donald Trump. É certo que, de todos estes, Antígona nos parece a mais solitária, e por isso a anómica por excelência, mas creio que todos representam um romper com as regras estabelecidas, criam as suas regras quase individuais, e, porque ao ser humano é inevitável, criam em seu torno uma comunidade de seguidores.
Ĉiela é anómica porque está entre lugares. Não sei ao certo o que move Ĉiela, e é em esperanto que fala para precisamente não ser uma migrante reconhecível. Algo me diz que ela foge. O que sei é que está só, desterrada, despaísada. No momento em que a encontramos ela é o seu próprio referencial.
E tudo isto é sobre a sua discrição. Ouvimos Ĉiela e não a vemos; ouvimos Ĉiela e não a ouvimos inteiramente, temos de ler o que ela diz; aos seus pedidos de ajuda não respondemos senão com o reconhecimento de que eles existem. Tento, assim, recriar a nossa atitude distante e desatenta perante as reais Ĉielas que todos os dias estão em fuga ou procurando dignidade, alimento, habitação, e discretamente sucumbem.
É delicado, este discurso. E a palavra tem um limite, aconselha-nos Ĉiela logo de início. Mas regresso ao princípio deste texto, não me parece que se deva entender um espectáculo como outra coisa que não a revelação de segredos. Talvez, até, dos nossos próprios segredos enquanto espectadores. Sonho que se chegue ao final do lamento com a sensação de que lemos o que Ĉiela disse, como citação de jornal ou livro, e que traduzimos as suas memórias para a nossa vida, encontrando nas palavras desta moribunda a nossa própria tragédia.

A Ĉiela junta-se um Pierrot, muito maior agora do que quando primeiro o imaginei. A verdade é que um espectáculo não se faz do texto que se tem, mas da gente que o faz corpo humano. E conhecer a Bruna foi suficiente para imaginar que seria possível criar uma personagem assim. Este Pierrot é um poeta, poderíamos dizer: uma criança. Também ele discreto, anda à procura da perfeição. Muito mais próximo de nós que Ĉiela, o Pierrot apresenta-nos, em palavras que podemos compreender, as suas intenções. E este lugar, onde Ĉiela morre, onde vemos um bloco de mármore (belissimamente cenografado pelo L Filipe dos Santos), onde pedaços de plástico foram abandonados sobre pedra negra, é uma insólita sala de ensaios, um refúgio, uma alta varanda de onde Pierrot contempla a paisagem do sonho. É o lugar afastado do mundo habitado, de que quase no final ele nos fala.
À Carla Galvão e à Bruna Maia de Moura profundamente agradeço a generosidade de sair de qualquer zona confortável — se é que, mestres que são, habitam alguma vez o conforto. A Carla, que trabalha sobre texto escrito numa língua inventada; e a Bruna, que começou os ensaios anunciando que não era actriz.
Connosco, durante todo o processo de trabalho, ora acompanhando as aulas de Esperanto, ora socorrendo a produção do espectáculo, ora imaginando e concretizando os figurinos, a Nídia Roque, companheira há tanto tempo. De novo, confronto-me com o limite da palavra, e não há forma de ser justo num agradecimento à Nídia, ou à Ana Seia de Matos, ou ao Luís Belo. Fica este parágrafo, à falta de melhor, para que todos saibam que, entre nós, há gente que consegue segurar o mundo.
É uma dessas pessoas a Cristina Reis, que connosco esteve no início de tudo, e connosco permaneceu de maneira indirecta, ao longo da criação do espectáculo. De certa maneira, este espectáculo foi feito para ela. E a ela agradeço toda a inspiração.
E o Rui Seabra, que conseguiu dar forma aos estranhos sonhos que tenho para a luz, coisas que me parecem sempre improváveis, mas que o Rui sabe traduzir, virtuoso o suficiente para, com poucos recursos, alcançar os mais extraordinários fins.
Por último, umas palavras a António Tuválkin, que traduziu o texto para Esperanto. Há coisas curiosas: a primeira vez que falei com o António, tive a impressão de estar a falar comigo. Como se fôssemos a mesma pessoa em momentos diferentes. Não creio que isto seja mais que projecção minha, mas fico contente por saber que alguém que em algum momento confundi comigo reescreveu noutra língua as minhas palavras. Agradeço-lhe o trabalho que fez connosco, desde as aulas à tradução.
Para escrever este texto três obras foram muito importantes: “Quatre Heures à Chatila”, de Jean Genet; “Hérésie et Subversion”, de Jean Duvignaud; “No Friend But the Mountains”, de Behrouz Boochani, poeta, jornalista, defensor dos direitos humanos, e migrante em busca de asilo.
Enfim, termino: o Pierrot revela, neste espectáculo, um dos meus mais íntimos segredos. Sobre a relação que estabeleço com a arte, com a poesia, ou com a filosofia. Pode acontecer que alguém se reveja neste segredo, ou nos outros; e então o teatro conseguiu, o teatro salvou-nos, se não de outra coisa, pelo menos da solidão.

Na (inacabada) Igreja Madre Rita

APOIO

FINANCIAMENTO

PRODUÇÃO

PARCEIRO MEDIA

APOIO

APOIO

APOIO

Ermafrodite

Espectáculo

Ermafrodite

Quando

27, 28 e 29 Junho
19h00. 2019

Onde

Incubadora do
Centro Histórico

Uma criação

Teatro
da Cidade

E não hermafrodita com agá, nem Afrodite como os Gregos antigos chamavam à deusa do Amor.
É um trabalho de dois jovens actores com um velho encenador. Em Viseu, a cidade da Teresa do “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco. Onde Simão a viu, no romance português de amores impossíveis que mais lágrimas fez chorar.
É um projecto? É uma experiência? É um atelier? Tantos nomes para tentar dizer o que se não quer, e dizer que ainda não se sabe bem o que se quer, mas que com certeza se quer alguma coisa nova. Todos nós, pessoas do teatro, sentimos que, se não queremos desaparecer afogados nas alterações às novas regras de funcionamento e financiamento das artes do espectáculo, temos de procurar encontrar respostas nossas e verdadeiras a esta nova situação.
ERMAFRODITE é um falso espectáculo que veste a máscara de duas conferências num falso congresso. No fundo, tão vazio de conteúdo como hoje são talvez irrecuperáveis para o público as formas clássicas da poesia cénica sobre o amor humano e divino. O desafio é para pessoas que se recusam a prescindir do Amor como grande razão de existir, descobrir no teatro novas formas para o seu entusiasmo.
Neste estranho trabalho de Luis Miguel Cintra com o actores Guilherme Gomes, recentemente premiado pela SPA como autor do melhor texto para teatro de 2018, e João Reixa, da mesma geração de criadores, há inúmeras piscadelas de olho ao espectador sobre alguns dos lugares comuns da nova prática artística de forte incidência sexual, e da apressada valorização do património cultural para uso turístico. E na manipulação abusiva das palavras de dois textos curtos de Camilo uma tentativa de exercício de virtuosismo na utilização cénica dos textos.
Mas estes 3 cavalheiros, com este trabalho beirão, acima de tudo, vêm convidar-vos com este “divertissement” a retomar a eterna brincadeira sobre a conclusão de sempre: “all you need is love.”

Luis Miguel Cintra

Guilherme Gomes acrescenta

Contou Ovídio, e quase de certeza o leu Shakespeare, que Príamo e Tisbe se amavam clandestinamente. Filhos de famílias rivais, valeu-lhes uma frecha na parede para poderem falar. Mas algo maior que uma parede os impedia de concretizar a sua paixão: a instituição familiar, as regras e uma espécie de diplomacia faziam deste um amor impossível. Haviam de morrer os dois, pelas suas próprias mãos, e pintar de vermelho as amoras.

Não me lembro ao certo de como surgiu a ideia, mas Luis Miguel Cintra propõe-nos com ERMAFRODITE um pensamento sobre a instituição do casamento, e a constante necessidade de compreendermos tudo, até o que não hesitamos em reconhecer como incompreensível. É coisa estranha, talvez selvagem, ou indomável, esta tendência para amar. E, mesmo assim, também para o amor encontrámos regras.

Em “A Espada de Alexandre”, Camilo Castelo Branco escreve sobre isto, reflecte com detalhe e humor sobre a instituição do casamento, sobre a natureza do adultério. Afinal, o que é o adultério? O que é o casamento? Onde surgem, e por que razão?

Um grande número de trabalhos sociológicos diz-nos que, para o bem e para o mal, estamos a mudar os nossos modos. A nossa relação com o trabalho é diferente, e talvez já não se pense nos trabalhos que nos definem a vida toda; a nossa relação com os outros é diferente, intermediada por ecrãs e pequenas imagens que tornam a nossa escrita decifrável sem as subtilezas das linguagem; a família é uma ideia diferente da que se fazia há cinquenta anos. O casamento também mudou. E Camilo previu essa mudança, quando antecipava que dali a cem anos não haveria casamento, mas amor que dura baseado na liberdade de quebrar o vínculo. Ainda que esta ideia não seja uma conquista evidente, já não são poucos os que vivem assim. Afinal, há espíritos livres, e, Camilo dá-nos a impressão, tudo pode ser mais simples.

Pois é o elogio da simplicidade, precisamente, da franqueza, do genuíno, que Camilo faz em “A Senhora Rattazzi”, o segundo texto que nos serve de base para ERMAFRODITE. Aqui, há a crítica a uma leitura de Portugal feita por uma tal Mademoiselle Rattazzi, uma pretensa intelectual que não entendeu nada do que se passa neste país; que, estando perante a evidência, preferiu confirmar ideias suas, impor-se à paisagem – problema muito próximo do que acima escrevíamos sobre o casamento. Este texto poderia lembrar os versos que ainda no outro dia, no São João de Vildemoinhos, ouvi:

Lisboa não sejas francesa
Tu és portuguesa

Estes textos foram escolhidos pelo Luis Miguel, colados por ele de forma a criar duas personagens que dialogam. Para mim, tem sido uma lição ver como o Luis Miguel gere este malabarismo do texto. Torna-se evidente o que é importante para fazer teatro, quando estamos a trabalhar sobre algo tão difícil de compreender. “Se não for claro o que cada um de vocês pensa sobre o outro, quer provocar no outro, sente que o outro provoca, não se percebe nada”, dizia-nos num ensaio, um destes dias.

Há uns tempos falava com uma colega sobre calceteiros, sobre o que imagino que seja uma intimidade criada entre artesão e matéria-prima: o calceteiro sabe onde bater na pedra para que ela se parta como ele quer; como o talhante sabe onde e de que maneira cortar. E qual é a nossa matéria-prima?, perguntava ela. Respondi-lhe: as relações. A relação do actor consigo mesmo, do actor com o texto, com o espaço, com o seu corpo, do actor com o outro. Mais do que com as palavras, talvez seja com isso que o actor trabalha. É com isso que estamos agora a trabalhar.

ERMAFRODITE é um passeio no arame; uma proposta arriscada e desafiante – tanto para nós, em palco, como para os espectadores. E não tenho dúvidas de que também é desafiante para o próprio Luis Miguel. Uma prova clara de que em cada espectáculo se inventa uma forma de se fazer teatro, como nos dizia ele há umas semanas, num encontro sobre Encenação que fizemos em CRETA.

Não é um espectáculo, mas também não é um exercício. Arrisco dizer que é um cometa. Passa hoje, mas talvez demore muito tempo até que outro assim volte a passar.

Luis Miguel Cintra responde

O Guilherme no seu texto sobre este exercício para 4 mãos e um maneta, tem razão: o que fizemos foi só um exercício, foi um trabalho que queríamos que nos ajudasse sim a conhecer como é vasta a matéria do nosso ofício, a nossa humanidade, e que é uma matéria tão vasta que numa vida inteira de teatro dela ainda, sem darmos por isso, usamos pouco porque é tão imensa como os que crêem no Deus dos cristãos quiseram acreditar e, ainda, coisa que habitualmente se refere menos, é com a própria matéria que conhecemos a matéria. É vivendo que conhecemos a vida.

Fazer teatro não é um parêntesis na nossa vida, é continuar a viver reflectindo sobre o assunto. Só que no teatro não basta conhecer. Fazemos teatro porque queremos encontrar um tu com quem falar, queremos comunicar. Viver sem comunicar, essa forma mais vasta do amor, não é viver, nem fazer teatro, cinema ou têvê. Comunicar implica conhecer e falar a mesma língua ou linguagem que o outro, os muitos outros. Às vezes temos mesmo de mudar de parceiro porque os objectivos de cada parte são opostos aos de cada um. E cada um fala da sua coisa material. Sem conseguir comunicar.

Para mim neste exercício aprendi que não basta a vontade de trazer para o palco a realidade humana, coisa que os actores por definição têm de ser e fazer. O difícil é encontrar o mínimo denominador comum. Descobrir que linguagem usar, descobrir onde está escondida a cumplicidade que supomos que há-de haver. Por exemplo: creio que existe numa prática da sexualidade como matéria muito menos qualificável e banalizada e balizada do que aquela que os códigos sociais permitem. Mas lá vem o medo do desconhecido, por exemplo, travar as descobertas e mudanças.
O teatro está farto de reproduzir fórmulas estilísticas que se tornaram estéreis. Sentimos necessidade de as renovar. É difícil, com a velocidade com que o mundo se modifica, estarmos adiantados ao tempo do dinheiro. Mas criar linguagens leva mais tempo do que deixar-se levar pela formatação pseudo-moderna que a cada momento nos é oferecida.

Aposto que a resistência da comunicação ao consumismo na escrita teatral, poderá passar por uma nova forma que assente na consciência metafórica do próprio ofício teatral. Venham muitas e novas metáforas. Não imitamos, representamos, escolhemos, pensamos. E que a sua descodificação seja feita por cada um sozinho com a experiência diferente de qualquer outro que cada um tem. Produziremos um bizarro resultado: que todos se amem sem saber razões nem resultados, porque queremos amar. Porque precisamos de viver. E para viver, mais do que comer bem, o que é mesmo indispensável é amar.

Camilo que sabia o que isso é, apostou na ironia, no duplo sentido, na agressividade, na inteligência. A sua, genial. Mas suicidou-se. Teria feito melhor se tivesse vindo passar uma temporada em Viseu. A ver se se curava do orgulho.
E receber tanta amizade ajuda muito para ainda viver alguma alegria.

Na Incubadora do Centro Histórico