Recital de Poesia: “Um passo”

Recital de Poesia

Um passo

Poemas de

Samuel
Beckett

Quando

6, 13, 20, 27
Setembro, 2020

Inspirado pelo universo de Beckett, este recital surge a partir da obra deste autor e da noção de “desolação”.
Pois bem, estamos num local árido, onde a vida parece não prosperar – mas próximo de um “oásis” -, e vemos uma personagem numa cadeira, da qual não sai. Não consegue sair, não quer sair, não a deixam sair…? Bom, o que sabemos é que tem consigo uma pequena mala: um kit de sobrevivência. Trancado, convém referir.
A chave está precisamente a um passo. O suficiente para se deixar cair da cadeira e apanhá-la. Não o faz. É permanentemente confrontada com essa possibilidade e não o faz.
Fruto de um problema de comunicação (ou “transtorno” de comunicação, dependendo do grau de seriedade com que queiramos encarar a questão), todo o seu discurso é uma tentativa de criação de diálogo com um objeto que nunca lhe irá verdadeiramente responder.
E quanto ao que poderá vir a seguir a este aparente “desespero tranquilo”, Beckett deu-nos uma ou outra pista: “When you’re in the shit up to your neck, there’s nothing left to do but sing.”!

– Joana Martins

Sobre Joana Martins

Viseu, 1994. Joana Martins é intérprete e criadora de teatro, e docente de expressão dramática.
Em 2015, licenciou-se em Teatro e Artes Performativas, pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde trabalhou com encenadores como Filipe Crawford e Marcantónio del Carlo. Em 2017, tornou-se mestre em Teatro – especialização em Encenação e Interpretação – pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, onde desenvolveu o seu projeto de investigação “La Petite Mort”, uma cocriação com Diogo Freitas, sobre o silêncio como material cénico.
Co-fundou a estrutura colaborativa BANQUETE, de investigação e criação multidisciplinar em artes, da qual é investigadora e criadora associada.
Para televisão, já fez alguns trabalhos em publicidade e co-apresentou o programa “MTV Back to School” (2016).
Participou na websérie “Diários de uma Quarentena” (de Diogo Freitas e Filipe Gouveia, 2020) e em alguns videoclips.
Em Teatro, fez os seguintes trabalhos: “Isto não é uma praxe” (de Marcantónio del Carlo, 2014), “AD LUCEM…” (criação coletiva: BANQUETE, 2019), “VERSA” (criação coletiva: BANQUETE, 2019), “Os Guardas do Museu de Bagdad” (a partir da peça de José Peixoto, com encenação de Graeme Pulleyn), com os formatos de leitura encenada (2019), espetáculo oficina (2019) e espetáculo (2020), “Democracy Has Been Detected” (de Diogo Freitas e Filipe Gouveia, 2020), “Esperar até Abril é morrer” (de Gabriel Gomes, 2020), “Dilúvio” (de Diogo Freitas e Filipe Gouveia, 2020) e o projeto “Diálogos” (criação com Joana Pupo, 2020).

Atenção, novo local!

Devido à previsão de chuva, este recital irá realizar-se na Incubadora do Centro Histórico, à mesma hora. As entradas são limitadas e o uso de máscara é obrigatório.

Bilhete

A entrada neste recital tem um custo de 3€. Preencha os dados para se iniciar o processo de compra e receberá uma mensagem com os detalhes de pagamento.

Recital de Poesia: “Ocupamos lugares transparentes”

Recital de Poesia

Ocupamos lugares transparentes

Poemas de

Maria
Gabriela Llansol

Quando

1, 8, 15, 22, 29
Novembro, 2020

Diáfano.
Vítreo.
Hialino.
Confesso-vos que às vezes trocava o verde de um semáforo e dizia:“vai ficar azul”. Não sei se seria engano ou se acreditava que seria possível mudar as cores do mundo. Dizia-o com tanta convicção que um dia parada num semáforo disse em voz alta “Vai ficar azul”. E ficou. Já acreditava que se pedisse muito uma coisa ela acontecia, assim passei a acreditar mais que o mundo nos deixa seguir em frente quando sonhamos em azul.
Neste momento é tarde e tiro o chapéu que coloquei há pouco na cabeça. Assim, consigo alcançar Maria Gabriela Lhansol com maior perspectiva, desprotegendo-me. Descubro na sombra a transparência da sua grandeza. Há sonho, misticismo, liberdade, encantamento e vida, ou melhor, muitas vidas. Assim o é, não incolor, mas transparente. Aqui, Lhansol se mistura numa só cor, entre nós e entre as suas palavras libertando-nos. Ultimamente, quando me deito Lhansol fica a tracejar os meus pensamentos. Nunca me apareceu num sonho, o que sobrou mais espaço para a imaginação. E ao dar voz a frases suas, levanto-me entre os meus vários corpos e espero-a num transparente azul. Talvez.

“Principiava
Esse peso por ser levíssimo mas, se esperasse, um olho
Azul precioso abrir-se-ia. Era o desenho da palavra."
Maria Gabriela Lhansol

– Gi da Conceição

Sobre Gi da Conceição

Gi da Conceição (Liliana Rodrigues) é natural de S. Pedro do Sul (1986) e licenciada em Teatro e Educação pela Escola Superior de Educação de Coimbra.
É Directora Artística da Companhia de Teatro Perro (desde 2017), docente do curso Artes do Espectáculo / Interpretação da EPTOLIVA (desde 2017), formadora do Instituto de Emprego e Formação Profissional (desde 2016).
Como encenadora assinou as criações Germana, a begónia, Passagens secretas, Casa de hóspedes, Prosopopeia do Vinho e CICARE.
Tem em funcionamento Oficina de Teatro em Tábua, São Pedro do Sul e Guarda.
Como atriz participou, por exemplo, em Madalena (2020, Teatro Viriato – TNDMII/ Sara de Castro), Conta-me como foi (6ª temporada, 2019/ RTP), Maio (2019 – videoclipe de Luís Severo), Borralho (2019, Teatro Experimental do Porto/ Gonçalo Amorim), Do Demo (2016, Teatro Viriato/ Nuno Cardoso), Esta noite improvisa-se e Baal (2015, Teatro Expandido/ João Sousa Cardoso), Espanca – Eu não sou de ninguém (2015, Conservatório de Voz e Artes Performativas do Porto/ João Miguel Mota), Heaven ou Ainda: Tu (2013, Teatro Viriato/ André Mesquita), Que o Diabo seja Cego, Surdo e Mudo (2011, ESEC/ André Paes Leme), Tomai lá do O’neill (2011, ESEC/ Filomena Oliveira), A Comédia do Verdadeiro Santo António que Livrou seu Pai da Morte em Lisboa (2007, GEFAC).
Aprendeu, entre outros, com António Fonseca, Manuel Guerra, Clóvis Levi, António Mercado, Ricardo Correia, Miguel Seabra, Nuno M. Cardoso, Hélène Beauchamp, Simoni Boer, João Henriques, Nuno Cardoso, José Rui Martins, André Paes Leme, Filomena Oliveira, João Sousa Cardoso, António Simão, Jaime Gralheiro. Contracenou com Carla Chambel, Luís Ganito, Daniel Martinho, Adelaide Teixeira, Ana Brandão, Carla Galvão, Crista Alfaiate, Madalena Almeida e Paula Só, Anabela Brígida.

Bilhete

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