Ao longo de seis meses, um conjunto de 10 dramaturgos, seleccionados a partir de 90 inscrições, estará a escrever um contributo para a coleção da nova dramaturgia portuguesa.
Coordenado por Ricardo Cabaça, o Laboratório de Dramaturgia acontece com Viseu como influência para a escrita de peças em torno da palavra Herança. As peças serão gravadas no formato leitura encenada, e difundidas na plataforma RTP Palco.

Ilustração de Liliana Velho

Formato do Laboratório

Este projeto é uma maratona, uma construção demorada que pretende erguer um futuro em Viseu. Ricardo Cabaça, dramaturgo coordenador, acompanhará o processo de escrita à distância (encontros online) e também presencialmente (4 deslocações a Viseu).

O trabalho online será sustentado através de conversas e discussões sobre os textos realizados até então, mas também pelo aconselhamento de leitura de algumas peças que contribuam para a concretização deste projeto. Será um trabalho continuado, de acompanhamento individual. O dramaturgo coordenador estimulará e provocará os participantes através de propostas ligadas ao cinema, fotografia, música, etc. Essencialmente haverá um trabalho de relação entre teatro e outras artes.

Por outro lado, os encontros em Viseu serão desenvolvidos através de exercícios individuais e em grupo, tendo como objetivo a mencionada ocupação da cidade, isto é, repensar o espaço local, em particular os espaços públicos.

Prazo de Execução

Este projeto tem uma duração de seis meses.

O primeiro mês será essencialmente para discutir intenções, pesquisar o potencial do tema na cidade de Viseu, procurar a “herança perfeita”. Durante este período o número de encontros online será substancial. Neste mês haverá espaço para um encontro presencial.

Os quatro meses seguintes serão dedicados à escrita da peça, bem como para um encontro em Viseu para dimensionar a relação com o espaço público e partilha de exercícios de escrita, assim como para estabelecer uma ocupação num desses espaços, desta vez com público, trazendo-o para a reflexão em torno do texto.

Finalmente, durante o último mês do projeto haverá lugar a encontros entre os dramaturgos e atores locais. Será ainda o período para rever e fechar os quatro textos. Neste último mês será marcado um encontro em Viseu para filmar as leituras encenadas.

Ricardo Cabaça

Ricardo Cabaça é licenciado em Estudos Portugueses pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e frequência no Mestrado em Estudos de Teatro na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Publicou as peças O primeiro quarto na Bypass #2, Morte súbita na Revista Galega de Teatro #78 (Espanha),  Stop Motion para Eadweard nas Edições Húmus, Albert Cossery ou Uma palavra para o dia chegar ao fim na Revista Ensaia (Brasil), Storni-Quiroga na Licorne, Depois da última página / Náufragos nas edições Adab, Gaia, Corpo futuro e Dix nas Edições Primata (Brasil) e Albert Cossery ou Uma palavra para o dia chegar ao fim na Não(edições).

Encenou em diversas salas de teatro e espaços alternativos em Portugal.

A peça A vida segunda da barata, a partir de Franz Kafka foi selecionada e encenada na Mostra de Peças em um Minutos dos Parlapatões, em Lisboa e em São Paulo.

Participou no Seminário Internacional de Dramaturgia 2015 (Obrador d’Estiu) em Barcelona, na Sala Beckett, com Simon Stephens. Em 2016 foi o dramaturgo português convidado para a residência artística do Chantiers d’Europe, no Théâtre de la Ville, em Paris. A peça Os náufragos foi lida pelo elenco do Théâtre de la Ville.

Participou no IX Seminário Internacional de Dramaturgia Amazônida (2019) como palestrante e com uma oficina de dramaturgia.

Atualmente coordena o projeto Dramaturgia Transatlântica, em parceria com o Coffeepaste, e desenvolve vários projetos de dramaturgia em Portugal, Espanha e Brasil.

Cofundador e Codiretor Artístico da 33 Ânimos, juntamente com Daniela Rosado, desde a sua fundação, em 2012.